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É Pela Vida das Mulheres
Os impactos da pandemia na vida delas

Brasil de Fato MG
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Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou que vivíamos um estado pandêmico de covid-19. Desde então, uma das grandes preocupações dos movimentos feministas foi sobre os impactos na vida das mulheres. Com razão, já que elas são as vítimas das violências machistas, como o feminicídio e a violência doméstica, além da sobrecarga dos trabalhos, remunerados ou não, que implica na dupla e tripla jornada.
 
A feminização da pobreza assola nosso país, visto que as famílias chefiadas por mulheres tendem a ser mais pobres devido às desigualdades salariais e de oportunidades, situação que se acentua para as mulheres negras, majoritariamente empregadas em trabalhos informais ou terceirizados. Agrava-se o fato de que as mulheres são maioria na área da saúde, estando mais expostas ao contágio.
 
Em home office, acumulam tarefas. O sistema machista e patriarcal as mantém enquanto responsáveis pelos serviços domésticos, cuidados das crianças, idosos e enfermos. Assim, ter que adaptar a vida profissional e doméstica no mesmo ambiente, as sobrecarregou ainda mais, sobretudo se pensarmos nas mulheres mães, que contavam com a escola para acolher e alimentar seus filhos.
 
A recente pesquisa Sem parar: o trabalho e a vida das mulheres na pandemia, concluiu que entre as 2.641 mulheres entrevistadas, 47% afirmaram ser integralmente responsáveis pelo cuidado de outra pessoa: filhos, outras crianças, idosos ou pessoas com alguma deficiência. Essa pesquisa aponta para as dinâmicas sexistas do cotidiano dos domicílios, intensificadas pela pandemia.
 
O feminicídio e outras violências machistas aumentou. O confinamento reforçou a masculinidade tóxica: para muitas delas, mais tempo em casa significou estar mais expostas aos seus agressores. Antes da pandemia, o Brasil já era um dos países que mais matava mulheres no mundo. Em 2020, houve um aumento de quase 9% de ligações para o canal Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher: enquanto a média diária entre os dias 1 e 16 de março foi de 3045 ligações e 829 denúncias, entre os dias 17 e 25 de março foram 3303 ligações e 978 denúncias.
 
Em Minas Gerais, de acordo com a Polícia Civil, de março a junho de 2020, 44.413 mulheres denunciaram ter sofrido violência doméstica, o que corresponde a 364 mulheres abusadas por dia. Isso tudo sem contar as subnotificações. As mulheres passam por diversos obstáculos para denunciar: medo do agressor, de ir à delegacia e se expor ao vírus, vergonha e, principalmente, a falta de acolhimento nas delegacias. Cenário que se agrava com o desmonte de políticas públicas para as mulheres, no atual governo.
 
Desde que Bolsonaro foi eleito, as taxas de feminicídio e outras violências aumentaram vertiginosamente. Ter como Chefe de Estado um homem que estimula o machismo, a LGBTfobia e o racismo é legitimar as ações dos agressores.
 
Há alguns dias Bolsonaro, mais uma vez, reafirmou sua política de morte: ampliou a facilidade para compra e registro de armas. Em contrapartida, segue dificultando a compra e democratização da vacina. Na contramão da ciência, desde o início da pandemia encarou como uma “gripezinha” um vírus que matou milhões de pessoas em todo o mundo.
 
Por isso, é impossível reivindicar vacina sem pedir por impeachment já! O governo Bolsonaro em conluio com Zema implementam o projeto genocida e, enquanto estivermos governadas pelas personas do patriarcado e do ultraliberalismo, estaremos com nossas vidas ameaçadas.
 
Bruna Camilo e Karina Morais são integrantes da Marcha Mundial das Mulheres e parte da organização do 8m Popular. Bruna Camilo é também do Partido dos Trabalhadores.
 
Edição: Rafaella Dotta
 

Fonte : Karina Morais e Bruna Camilo - Brasil de Fato MG







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